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Entenda por que comidas gordurosas e açucaradas são as preferidas do cérebro

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Doces e comidas gordurosas

Quem nunca se viu tentado a atacar comidas gordurosas como batata frita ou sorvete, que atire a primeira pedra. E no dia a dia as opções são muitas, principalmente para quem realiza suas refeições fora de casa. Frituras, massas, pães, doces: a lista de alimentos ricos em gorduras, açúcares e carboidratos é imensa e, se consumidos em excesso, os prejuízos podem ir muito além do ganho de peso. Mas por que esses alimentos são tão desejados e como resistir à infinidade de comidas gordurosas oferecidas pela indústria?

Comidas gordurosas têm alto valor de energia

Nos primórdios, a ingestão de comidas gordurosas era importante para formar uma reserva energética e garantir a vida do indivíduo até a próxima refeição, que era incerta. A questão metabólica ainda vale nos dias de hoje, mas as dinâmicas da rotina, de uma forma geral, mudaram muito. Por exemplo, entre outras coisas, antigamente se praticava muito mais exercício físico, uma vez que a alimentação dependia do esforço direto do interessado. Hoje, de forma geral, encontramos o alimento na prateleira do supermercado. A gordura, além de ser energética, é extremamente palatável, caraterística aproveitada pela indústria para tornar as comidas gordurosas cada vez mais desejáveis ao consumo. E é que o cérebro é enganado e pede sempre mais.

Os alimentos que apresentam grandes quantidades de gorduras saturadas e trans são os mais palatáveis, e o excesso de consumo pode ser prejudicial à saúde. Para suprir as necessidades orgânicas, o ideal é priorizar alimentos ricos em gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, como o azeite de oliva extravirgem, as castanhas e os peixes de água fria, como o salmão e a sardinha.

O poder do açúcar sobre o cérebro

Com alimentos açucarados é um pouco diferente do que acontece com as comidas gordurosas, pois eles estimulam um neurotransmissor chamado dopamina. A dopamina está envolvida com o sistema de recompensas de nosso cérebro e, quanto mais alta sua taxa, maior a sensação de bem-estar, conforto, prazer e saciedade. O que acontece é que, uma vez elevada a dopamina, nosso cérebro pede repeteco, aumentando a “necessidade” de ingerir produtos ricos em açúcar.

Outro grupo de alimentos que também entra nessa questão são os ricos em carboidratos simples, como massas, pães, bolos, biscoitos e pizzas. É comum sentir vontade de comer mais um pedaço porque esses alimentos fazem com que o corpo produza mais insulina e aumente a sensação de bem-estar. Nesse caso, a melhor opção é escolher a versão integral que, ao menos, saciam por mais tempo.

Sabendo dessas armadilhas do nosso cérebro, fica um pouco mais fácil entender essas vontades repentinas por alimentos e comidas gordurosas que, se consumidos em excesso, podem causar prejuízo ao corpo. Cabe a cada um fazer as melhores escolhas, pensando sempre em nossa saúde em médio e longo prazo.

Fonte: Dr. Andrea Bottoni, especialista em nutrologia e em medicina esportiva, mestre em nutrição e doutor em ciências pela UNIFESP, instrutor de Mindful Eating, é coordenador de nutrologia do IGESP.

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